• Gustavo Granato

DESABAFO DE UM TORCEDOR DO SÉCULO XXI

Que vivemos num mundo que hoje o futebol é negócio, e dinheiro é o que realmente importa, estamos cansados de saber.


Hoje conversando com um amigo de longa data, desses que defende o famoso “futebol raiz”, (ou pelo menos defendia), tomando uma cerveja no fim de expediente, falando de futebol, papo de boteco mesmo, estava rolando aquela tradicional resenha por conta do meu time de coração ter três Libertadores e o dele só uma, tudo normal até que escuto o seguinte argumento:

“Quando teu time tiver mais de 50 milhões de renda com bilheteria no ano a gente conversa.”

Juro que não soube o que responder, não pelo meu time não ter essa renda por ano, mas por simplesmente a graça de conversar sobre futebol terminou ali.


No auge dos meus quase 25 anos, hoje falo que amo futebol por conta do meu pai, e o futebol que aprendi a amar não tem absolutamente nada a ver com o que vemos nos últimos anos. Não que eu ache errado ou ruim o time A, B ou C ganhar tanto em patrocínio ou investimento, mas isso não pode ser argumento em discussão de boteco.

Talvez eu tenha nascido na época errada, talvez eu esteja completamente errado em querer voltar pro início dos anos 2000, que foi quando aprendi a amar futebol ou de acreditar no futebol de maneira tão folclórica.

Tenho saudades de sair do jogo às 22h e quando chegar em casa ir correndo ligar a tv pra ver os gols da partida no Jornal, hoje a molecada já vê pelo YouTube no estádio mesmo. Prestam mais atenção no celular do que no jogo, perdem e dão risada, perdem e estão tirando selfie. Mas isso não é culpa deles, foram criados e nasceram numa época assim, mas que é uma pena, é.

Não vejo absolutamente graça nenhuma em ir ver um jogo numa dessas arenas modernas que a Copa do Mundo nos deixou, e ficar sentado na cadeira, pagando R$200 no ingresso, R$10,00 na pipoca e batendo palma. Ok, eu sei que tem quem goste e deve existir o espaço pra esse torcedor, mas não nos enfie isso goela abaixo como padrão, por que não é.


Futebol é chegar horas antes do jogo com seus amigos, tomar uma cerveja na porta do estádio, fazer festa quando o ônibus passar, tremular bandeira, soltar fogos, tudo isso é válido e faz parte da nossa cultura, não nos prive disso. Não precisamos de cadeiras, área coberta, piso de mármore, tv no banheiro e muito menos Wi-Fi no estádio, (agora até isso tem). Só queremos o nosso espaço, nosso cantinho com concreto, bandeiras, faixas, batuque e ficar o jogo todo no alambrado infernizando a vida do goleiro adversário, mas até isso estão nos tirando.

Eu esperava que o dia que eu tivesse um filho, eu pudesse fazer igual meu pai fez comigo. Queria poder entrar no estádio com ele e mostrar aquela festa toda, bandeiras, fumaça, gente que nem se conhece se abraçando, chorando, sorrindo, isso que fez eu me apaixonar por futebol. Queria poder levá-lo pra comer um sanduíche de pernil na saída do jogo, não na franquia de lanchonetes que hoje tem em certas arenas, mas infelizmente acho que isso não será possível.


Voltando ao começo, hoje o futebol é negócio e dinheiro. Vale mais os “naming rights” e vender o time para a instituição financeira do que o capitão do teu time ter amor à camisa. O futebol está acabando, e você que aplaude renda no fim do jogo e comemora como um título o balancete no fim do ano, faz parte disso.


Eu só queria te mostrar o futebol que eu amava, eu juro que era diferente antes, desculpa meu filho.

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