• Renan Correa Leandro

CENAS LAMENTÁVEIS NO CATARINENSE

A Federação Catarinense não cuida do seu produto!


Este ano, aqui no Estante do Esporte, estamos acompanhando o Campeonato Catarinense rodada após rodada. Demos visibilidade a todos os jogos e fomos extremamente democráticos. Não foram poucas as seleções das rodadas que contaram com jogadores de equipes menores, tais como Próspera, Metropolitano, Hercílio Luz e Concórdia. Mas, confesso que a paciência deste colunista com a Federação Catarinense de Futebol acabou!


Estamos realmente frustrados com a forma desleixada com a qual a entidade está tratando seu maior produto, o Campeonato Catarinense. Sou totalmente contra acabar com os Estaduais, e a essa opinião, deve-se à honra que tenho por nosso campeonato, sendo este o mais disputado e equilibrado do país. Este ano, avaliamos pelo menos 6 times entre os favoritos à disputa e no desenrolar das coisas vimos muitos resultados surpreendentes acontecendo. No entanto, vários problemas que escancaram a falta de organização e falta de capricho com o produto prejudicaram (e muito!) a rentabilidade e visibilidade da competição.


Está na hora de abrir os olhos da opinião pública e fazer com que os times, dirigentes e imprensa tomem atitudes concretas a fim de salvar o nosso Estadual que está respirando por aparelhos, não que deixasse de ser um título desejado, mas por ter se tornado um Campeonato sem apelo midiático e sem qualquer presença no cotidiano das pessoas. Visitem Concórdia e perguntem sobre a campanha do Galo do Oeste para as pessoas na rua e vejam quantas vão dizer que souberam do ótimo campeonato de Alan Grafite? Ou visitem Jaraguá do Sul e perguntem sobre a boa classificação do time do técnico Pingo e vejam quantos saberão sobre o assunto? O Campeonato Catarinense está morrendo!


P.S: Faço apenas uma pausa para pedir desculpas ao leitor por não ter escrito sobre Avaí 0 x 0 Brusque pela primeira partida de uma das semifinais no último domingo. Mas, o resultado e as lambanças da Federação ofuscaram completamente qualquer assunto envolvendo campo e bola neste último fim de semana.


Abaixo, uma série de fatos que ocorreram somente neste ano:


Cancelamento da partida Joinville x Marcílio Dias pela segunda rodada: o cancelamento ocorreu pelos jogadores e membros da comissão técnica contaminados por COVID-19 no elenco Tricolor. Mas, o disparate foi a Federação deixar o time de Itajaí gastar com deslocamento e cancelar o jogo horas antes do agendado. O detalhe é que o Joinville fez outra testagem antes do jogo e encontrou diversos outros membros do clube com COVID-19. Se fosse pela Federação, haveria uma contaminação geral na Arena naquele dia e o JEC entraria em campo com 13 atletas.


Joinville jogou dois jogos em 48 horas antes de jogar pela Copa do Brasil: o Joinville jogou contra o Marcílio Dias e contra o Metropolitano num intervalo de 48 horas e 4 dias depois já viajou para o Rio Grande do Sul para jogo pela Copa do Brasil. Este atropelo do calendário, que certamente prejudicou o time do Norte.


Metropolitano sem casa: Como esperar um equilíbrio técnico de um time que não tem casa para jogar? O Metropolitano, que possui sede em Blumenau, mandou seus jogos em Ibirama (quando conseguiu este local!), pois seu antigo estádio, pertencente ao Sesi, não pôde ser utilizado, pois a dona do local vetou o aluguel do espaço para futebol profissional. Um time da primeira divisão não deveria jogar o Estadual sem casa!


Equipes mandando jogos fora de casa: Enquanto algumas equipes jogaram em casa em 100% das oportunidades, outras equipes jogaram várias partidas fora de casa mesmo com mando de campo. A COVID é um argumento válido, mas o regulamento do campeonato não favoreceu o equilíbrio técnico, e prejudicou os pequenos que têm no fator campo um importante aliado. Durante a pandemia em que estamos, casos esporádicos poderiam ser esperados, mas a falta de preparo do regulamento extrapolou muito o limite do aceitável.


Arbitragem ruim: O histórico do Campeonato Catarinense sempre foi de arbitragem ruim. Mas, parece que perdemos a condição de nos indignar com isso, aceitando que as coisas são assim mesmo. Entra ano e sai ano, vemos os mesmos nomes fazendo lambanças em todos os gramados. Qualquer um dos 12 times possuem motivos de sobra para reclamar de algum erro de arbitragem e a Federação nada fez para melhorar este quesito.


Cobertura ruim em TV Aberta: A emissora detentora dos direitos do Campeonato Catarinense fez (e ainda faz) uma cobertura muito pobre das equipes. Enquanto há muito espaço para Avaí, Figueirense, Chapecoense, Joinville e Criciúma (que não é lá essas coisas), os demais podem reclamar à vontade que não tiveram espaço na mídia. Além disso, foi ridículo descobrir que os jogos de volta das quartas de final não seriam transmitidos na TV (após os jogos de ida passarem normalmente no domingo). Compraram os direitos de transmissão para não transmitir na TV Aberta, acarretando enormes prejuízos para a visibilidade do Campeonato e para as cotas de patrocínio e placas de publicidade dos clubes.


Juventus inscreve 24 jogadores e descobrem quase 1 mês depois: Depois de quase um mês, uma denúncia é feita sobre o Juventus que, no sistema da Federação, havia inscrito 24 jogadores para o jogo contra o Joinville. Várias incertezas e debates ocorreram no Norte do Estado sobre o que aconteceria. Apesar de não ter dado em nada (pois a Procuradoria do TJD/SC recebeu a informação de que o erro partiu da Federação e não do clube), ficou evidente a péssima qualidade dos sistemas de automação utilizados na competição.


Hercílio Luz perde 3 pontos após expulsão ocorrida em 2020: O estopim da bagunça foi o caso da perda de pontos do Hercílio Luz. O jogador Alisson foi expulso na final da série B do Catarinense em jogo ocorrido em 20/12/2020, só foi julgado em 06/04/2021 (já falo do TJD/SC) com condenação de 1 jogo de suspensão e deveria ter cumprido no jogo contra o Brusque. Não cumpriu e entrou em campo. O Hercílio perdeu aquele jogo e com a perda de 3 pontos (conforme regula o Código Brasileiro de Justiça Desportiva) perdeu a classificação às quartas de final entrando o Figueirense em seu lugar. Detalhe é que Hercílio Luz x Chapecoense já se enfrentaram com classificação da Chape (0 x 0 na ida e 1 x 0 na volta). Agora, a desorganizada Federação Catarinense quer repetir o confronto, dessa vez com o Figueirense (em lugar do Hercílio) contra a Chapecoense. Mas, o time do Oeste não ficou nada satisfeito com esse resultado e com toda a razão deve buscar seus direitos na Justiça Desportiva, tentando valer-se do fato que já entrou em campo, jogou e ganhou! Fica a pergunta: Como deixaram chegar a isso?!


TJD/SC está de parabéns por completar o vexame: Além de atrapalhar a competição, demorar para julgar o jogador do Hercílio Luz e fazer um julgamento confuso para quem assistiu, o TJD ainda teve tempo para discutir com o jornalista Fábio Machado. No entanto, compartilho o que este colunista escreveu e vejam se não temos razão?

Isso foi tudo! Lamento profundamente pelo nosso futebol e pelo que está acontecendo dentro e fora de campo. Para mim, é o pior Campeonato Estadual que eu já assisti (olhando uns 25 anos para trás).


Talvez, esse seja o momento dos clubes catarinenses pensarem numa liga. Dirigentes, imprensa e amantes do futebol precisam se unir em um movimento que resgate as raízes do nosso futebol, semelhante ao que foi realizado no Nordeste com a criação da Copa do Nordeste. É necessário que o nosso produto seja mais valorizado, comentado, repercutido e, principalmente, sejam uma fonte de receitas. Fortalecer nossos clubes é preciso e espero que isso ocorra pois ainda tenho esperanças de ver um resgate do nosso Campeonato Catarinense e que o debate fique limitado ao que acontece dentro das quatro linhas.


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