• Guilherme Fressato

MERCEDES: O BRILHO PRATEADO NAS PISTAS DA FÓRMULA 1.

Poderia ser raso, com um mero post anunciando mais título de construtores da Mercedes-AMG, mas não seria justo. Esse post tem que fazer jus à grandeza de uma equipe vitoriosa, concebida, construída e executada de maneira primorosa.


DNA E HISTÓRIA DE UMA CAMPEÃ

Inicialmente, convidamos você, leitor, a imergir em um breve mergulho até os anos 50, quando a história da equipe alemã e a maior categoria da velocidade se entrelaçavam pela primeira vez. Nos anos 1930, a Mercedes já era uma das protagonistas no Campeonato Europeu e, a partir de 1954, disputaria a novíssima Fórmula 1, recém criada em 1950. Uma equipe renomada e um carro bem preparado, precisariam de pilotos à sua altura, certo?


Que tal então Juan Manuel Fangio? O piloto que já se destacava na categoria, pelo título conquistado em 1951 e dois vice-campeonatos em 1950 e 1953, e na temporada de 1954 vinha de duas vitórias em três corridas pela Maseratti. Foi a escolha certeira. Nesse ano, logo na corrida de estreia da equipe, na França, houve dobradinha com vitória do lendário piloto argentino e em segundo o alemão Karl Kling. O título de campeão de construtores só seria instituído em 1958, mas a título de conhecimento, Fangio e a Mercedes ainda venceriam três das cinco corridas restantes. Em 1955, a equipe alemã apostaria no talentoso britânico Stirling Moss, mais tarde conhecido como “o campeão sem coroa”. O resultado em 1955 seria um massacre: das sete corridas, cinco vitórias da Mercedes, sendo uma de Moss. A história vinha sendo escrita com letras garrafais, predominância do equipamento e dos pilotos, mas devido a um desastre em Le Mans no mesmo ano, a partir de 1956, a equipe entrou em reclusão, não disputando mais competições.


Por que tantos detalhes históricos? Pois aqui entendemos o DNA da equipe, a mentalidade gestora que mais a frente observaremos e resultam nos sete títulos consecutivos. Vale ressaltar que nessa época a equipe chamava-se Daimler-Benz AG, para os interessados em mais detalhes históricos e utilizava o modelo W196.



O RETORNO ATRAVÉS DAS PARCERIAS

Após o afastamento das competições, a Mercedes retornou a Fórmula 1 fornecendo motores, ou o termo moderno “Unidade de Potência”, para algumas equipes. Em 1994, em conjunto com a Ilmor, forneceu motores para a suíça Sauber. A partir de 1995, estabeleceu uma parceria duradoura com a britânica McLaren por vinte temporadas. As primeiras vitórias começaram a surgir na temporada de 1997, culminando no bicampeonato 1998 e 1999 de Mika Hakkinen com a McLaren-Mercedes, sendo campeã de construtores em 1998.


Podemos citar ainda campanhas de destaque ainda como parceira em 2003, 2005 e 2007(ano do caso de espionagem da McLaren sobre a Ferrari, em que foi cassado o título de construtor) e 2008, não esquecendo do ano de 2009, em que a parceria resultou em título de construtores e de pilotos para a Brawn GP e Jenson Button. As parcerias como fornecedora de motores ainda tiveram bons resultados, porém a partir de 2010, vamos relembrar o despertar de uma gigante prateada adormecida.


A VOLTA DO GIGANTE

Após o imponente campeonato de 2009 pela Brawn GP, a Daimler AG, proprietária da Mercedes, reaparecia na Fórmula 1, com equipe própria, a Mercedes-AMG. Um projeto já consolidado no ano anterior, com uma equipe técnica de altíssimo nível e, para impulsionar a retomada, foco no DNA, como mencionamos anteriormente. A aposta em uma dupla de pilotos alemã, o lendário Michael Schumacher, heptacampeão, retornando de aposentadoria e o promissor Nico Rosberg, filho do campeão mundial finlandês Keke Rosberg, que vinha da britânica Williams, de boas temporadas.


Na primeira temporada após o retorno, no ano de 2010, houve desempenhos discretos, tendo como pontos altos três podiums, em terceiro lugar, para Rosberg, garantindo a quarta posição entre construtores em seu retorno. Em 2011, a melhor posição de corrida foi um quarto lugar, e novamente o quarto lugar entre construtores. Em 2012, uma vitória e um segundo lugar para Rosberg, e um terceiro lugar para Schumacher, porém a temporada foi completamente equilibrada e imprevisível, a equipe terminara em quinto lugar. No entanto, uma bomba nos paddocks, o talentoso britânico Lewis Hamilton, diamante lapidado pela McLaren desde a juventude, apadrinhado de Ron Dennis, iria juntar-se a Rosberg no time de pilotos da equipe. Também era anunciado a contratação de novo diretor executivo, Toto Wolff, que vinha da Williams.


Cadeiras mexidas, DNA acionado, era hora de a Mercedes assumir seu protagonismo. Muitos podiums na temporada, com duas vitórias de Rosberg e uma de Hamilton, a equipe já aparecia como segunda colocada no mundial de construtores, em seu quarto ano.


PREPARAÇÃO, ORGANIZAÇÃO, HEGEMONIA. A FÓRMULA 1 BRILHA EM PRATEADO.

A Mercedes avistou um horizonte vitorioso a partir de 2014. Onze dobradinhas de Hamilton e Rosberg, dezesseis vitórias de seus pilotos, com Hamilton sendo campeão e a esmagadora vantagem no campeonato de construtores. Em 2015, a gigante mantinha seu pique com doze vezes seus carros nas primeiras posições, dezesseis vitórias de seus pilotos, bicampeonato de construtores e mais um título de pilotos para Hamilton, seu terceiro. Uma nova hegemonia estava implantada, e essa competidora não mostrava trégua aos adversários, a máquina está novamente regulada e lubrificada. Em 2016, são sete dobradinhas dos pilotos que alternam a liderança do campeonato em uma disputa ferrenha e na última corrida, Rosberg conquista seu título mundial, a Mercedes é tricampeã. O alemão conquista nove vitórias, o britânico dez, a diferença é mínima, cinco pontos, então, Rosberg anuncia a aposentadoria. Um baque. O circo da Fórmula 1 precisa de uma dança das cadeiras emergencial. A organização estaria comprometida? O gigante vai continuar de pé? A Mercedes contrata Valteri Bottas, o finlandês promissor.


Para a temporada de 2017 o preparo da equipe é incrível e durante toda a temporada Bottas tem ótimos desempenhos com o carro, treze podiums com três vitórias. Hamilton vai se mostrando absoluto, nove vitórias, sem deixar chances para Vettel com sua Ferrari. Mais um título para Hamilton, mais um título de construtores. Em 2018, Bottas tem um declínio de rendimento, mas ainda conquistando muitos podiums, oito no total, não vence nenhuma vez, porém Hamilton leva o equipamento com maestria. O caçador de recordes parece projetado para essa equipe, mais uma peça perfeita que se encaixa com treze vitórias. Vettel e Ferrari mais uma vez não ameaçam a sequência de títulos, nem de Hamilton e nem da equipe. Ambos são pentacampeões.


Agora vamos para 2019, nas discussões com os aficionados e amantes da F1, é inquestionável a dominância da Mercedes. “E quem pode parar o Hamilton?” “Apenas o Bottas.” Não é tão simples assim, estamos falando agora de um piloto lendário e a máquina construída para ele. Bottas coleciona podiums, quinze no total, conquista suas vitórias, quatro nessa temporada. São nove dobradinhas nessa temporada. Hamilton vence em “apenas” onze etapas. Seis títulos para Dr. Frankenstein e seu monstro. A Mercedes criou o melhor equipamento e forjou até o piloto para ele. Há incompetência em Valteri Bottas? “Ele tem um carro igual.”


Esse ano, situações incomuns, temporada totalmente tumultuada, ansiedade pelas surpresas que nos aguardam com novos projetos, novos circuitos. Não há mais o prateado no podium, há o preto. A Mercedes e Hamilton brigam inclusive por causas maiores as pistas. Mas continuam com o foco nas pistas, com quatro etapas de antecedência, o sétimo título de construtores e um recorde que está garantido. Em treze etapas, Hamilton venceu nove, Bottas venceu duas e teve dez podiums.


O REFLEXO

Como citei acima, o DNA Mercedes foi muito importante. A equipe soube se montar, reinventar e olhar em 1954, para em 2014 ter o resultado. De um Fangio, aos 44 anos, ainda genial, que conhecia muito bem o melhor equipamento que a fábrica podia lhe dar, aliando aos seus famosos ajustes. Com a observação do talento de Stirling Moss para garantir o futuro. Observe caro leitor, é a história que se repete, mas sem uma reclusão que interrompa a sinfonia que se constrói e se executa.

Em 2012, a Mercedes busca o ajuste fino. Niki Lauda negocia a vinda do genial Lewis Hamilton para calibrar a engrenagem que faltava. Em 2016, buscam um talento promissor, tão competente quanto possível. O sistema não pode parar, não há um clone de Hamilton. Bottas se encaixa da melhor maneira possível, e isso é garantir que a Mercedes não seja sequer ameaçada na tabela de pontos de construtores.


Para nós, amantes da competição, aplaudamos e admiremos a beleza dessa era de prata da Fórmula 1.

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