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ESPECIAL A HISTORIA DA WILLIAMS - PARTE FINAL

Anos 2010-2020 o fim da história da Família Williams na F1


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O Brasil continuaria tendo uma participação importante nos cockpits da Williams. Na década de 2010, tivemos Rubens Barrichello (2010-2011), Bruno Senna (2012) e Felipe Massa (2014-2017) correndo em um carro com prefixo FW (todos os carros da Williams, até hoje, usam o prefixo FW, iniciais de Frank Williams). Com as contratações de Barrichello e Massa, a dupla Frank/Claire teria contratado para pilotar um de seus carros quase todos os pilotos brasileiros que venceram pelo menos uma corrida na F1 (destes pilotos, somente Emerson Fittipaldi não pilotou para a Williams).


Nesta década, a equipe ainda conquistaria uma improvável vitória no GP da Espanha em 2012 com o folclórico piloto venezuelano Pastor Maldonado. Naquele ano, formava dupla com o brasileiro Bruno Senna, fazendo o cockpit do time inglês ser 100% sulamericano, para comprovar que Nelson Piquet não poderia dizer que Frank Williams tinha predileção por pilotos ingleses. Mas, o declínio da equipe era evidente e a insatisfação de seus pilotos com carros pouco competitivos era cada vez mais evidente.


Em 2013, uma grande perda se abateu sobre a família Williams com a morte de Ginny Williams que lutava contra um câncer terminal desde 2010. Claire Williams relata no documentário “Williams” (citado anteriormente) que dificilmente vê seu pai em lágrimas e que desta vez não foi diferente, porém, ela não nega que isso deva ter trazido impactos sobre ele.

Foi neste mesmo ano, que Claire Williams foi promovida ao posto de líder da equipe durante as corridas. Pessoalmente, ouvi relatos de que ela não dominava tanto a parte esportiva da equipe e que talvez seu irmão Jonathan, que foi relegado a uma função administrativa na fábrica, seria um substituto mais adequado. Quanto a isso, é difícil emitir opinião, mas é certo dizer que ninguém poderia conduzir a equipe com tanta capacidade quanto o próprio Sir Frank Williams (nem Patrick Head conseguiu!).


O time ainda teve boas participações nas temporadas entre 2014 e 2017, mas para muitos especialistas isso foi consequência da parceria com as unidades de potência Mercedes que estavam muito a frente dos concorrentes na era híbrida. Contudo, quanto mais a Ferrari e Renault melhoravam, a Williams sem um chassi tão competitivo e com a diferença de desempenho nas Unidades de Potência sendo cada vez menor viu as outras equipes ultrapassando pouco a pouco até chegar à melancolia.

Em 2018, a equipe patinava e com carros tecnicamente inferiores tinha lugar cativo na última fila nas classificações e as últimas posições na corrida. Em 2019, o único momento positivo foi o último ponto da equipe sob o comando da família Williams no Grande Prêmio da Alemanha (uma corrida mais do que maluca!) com um determinado Robert Kubica chegando no décimo lugar. Estava mais do que claro, que a cultura dos velhos garagistas estava ficando para trás frente ao grande orçamento que as poderosas montadoras disponibilizam para seus times, impedindo sonhar com o retorno aos áureos tempos, conforme Claire Williams deixa claro em um episódio da série sobre a F1 no Netflix “Drive To Survive”.


Claire e Frank já admitiam publicamente a procura por investidores, mas a venda para o grupo Dorilton Capital, sediado nos Estados Unidos, impactou a todos os fãs da Fórmula 1, pois era esperada uma parceria ou coparticipação, mas não uma venda completa. Diante do anúncio, no último fim de semana, foi a despedida oficial da família Williams da categoria máxima do automobilismo e o último garagista se despediu. No GP da Toscana em Mugello, Simon Roberts foi anunciado como novo chefe de equipe da Williams, agora sob nova direção.


Fiz questão de escrever um artigo com o máximo de histórias que pude coletar, pois não seria justo recordar as 43 temporadas que este time disputou recordando apenas os fracassos recentes. Uma análise pode ser feita sobre esta trajetória meteórica com os principais motivos que levaram a Williams Racing a esta situação complicada, mas minha intenção aqui é contar uma história e enaltecer seus grandes feitos.

Eu quero agradecer à Família Williams


O esporte a motor brasileiro deve muitas reverências à Sir Frank Williams e a toda a família Williams (incluo Ginny e Claire). Como abordei anteriormente, todos os pilotos brasileiros na F1 que venceram pelo menos uma corrida, exceto o grande Emerson Fittipaldi, correram em um carro fabricado pela Williams.


O Brasil comemorou o tricampeonato de Nelson Piquet e diversas outras vitórias com o carro azul. Frank Williams deve ter uma predileção por pilotos sul-americanos. A lista é grande dos que já correram pela equipe, mas o que mais me marcou foi ter recebido um dia, um singelo e-mail de Claire Williams. Sim! Ela respondeu a um e-mail meu, um simples fã brasileiro que perguntou à ela o que a motivava para continuar lutando pela equipe (assistir ao documentário “Williams” mexeu muito comigo). Esta singela resposta, eu quero compartilhar com todos. Percebam a simplicidade que aproxima tanto este time com todos os brasileiros:


Prezado Renan,
Obrigado por se dar ao trabalho de escrever depois de assistir nosso filme. Estou muito feliz que você tenha gostado!
Foi um pouco de um trabalho de amor fazê-lo mas foi muito bom expor nossa história para que as pessoas possam conhecer e ver.
Será outra temporada difícil para o time, mas eu sou inspirada todo dia pelo time a meu redor e pela visão do Frank (Williams), pois nós nunca desistimos e voltaremos ao pódio eventualmente...!
Com os melhores desejos,
Claire

Este e-mail foi endereçado a mim em 14/03/2019, pouco antes do início daquela temporada. Esta mensagem me motivou a escrever este longo artigo (que poderá ser dividido em partes pelo editor, se assim o preferir), pois um pequeno gesto pode demonstrar a maior grandeza de um espírito que luta até o fim. Eles nunca desistem, tal qual o brasileiro que acorda cedo e vai à luta e não desiste nunca!


Claire e Frank, se vocês chegarem a ler este texto, quero dizer-lhes o quanto os fãs da F1 do Brasil estão tristes com a saída de vocês do dia-a-dia da categoria. Sinto-me na obrigação de agradecê-los e enaltecê-los pela linda história que vocês, com muito sangue, suor e fluído de freios construíram em mais de 4 décadas.


Aqui no Brasil, as corridas normalmente ocorrem pela manhã, e durante 43 anos, o nome Williams apareceu dezenas de vezes em nossas televisões. Seja alinhando no grid, fazendo ultrapassagens, vencendo ou comemorando títulos, de alguma forma vocês estavam lá. Choraram conosco a perda do nosso grande ídolo no esporte, mas sempre abriram as portas para tantos pilotos brasileiros e nos deram a honra de torcer por eles neste esporte.

Vocês tomaram a decisão mais difícil em prol de famílias e empregos que estavam em risco com uma falência eminente e renunciaram a tudo que lutaram para que trabalhadores não perdessem seus empregos.


Por isso, vocês nos inspiram! E como um cidadão brasileiro e como um fã da Fórmula 1, quero dizer a toda a família Williams, muito obrigado por tudo! Sucesso e saúde para vocês na jornada da vida que ainda está longe de terminar!

Fica a dica: Assista os documentários comentados na matéria.


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