• Gui Ribeiro

A MÁQUINA DE MOER TÉCNICO!!!


Técnico de futebol é a profissão mais ingrata, aquela em que você já é contratado com o seu cargo ameaçado, geralmente não é unanimidade entre os torcedores e, pasmem, nem entre os seus chefes.


Em 2019 desembarcou no país mais um técnico. Foi o “Mister” Jorge Jesus, que vinha do futebol Árabe, mais especificamente do Al-Hilal da Arábia Saudita, com a missão de levar o Flamengo ao título da Libertadores, que não era conquistada desde a Era de Ouro de Flamengo de Zico, pois o português não foi só campeão da Libertadores como faturou também o campeonato no Brasileiro com folga.

Vendo o sucesso do português, times brasileiros deixaram de lado nomes da nova geração de técnicos e os medalhões, apesar de o Palmeiras voltar a apostar no Vanderley Luxemburgo “Profexo” (vou explicar mais a frente sobre o projeto). Outros times foram na onda do Flamengo. Avaí e o Santos contrataram os portugueses Augusto Inácio e Josualdo Ferreira, o Internacional foi de argentino Eduardo Coudet e o Galo também apostou no argentino, Sampaoli, que sonhava com o Flamengo e acordou no Galo. Por fora vinham Fernando Diniz, que já vinha contestando no comando Tricolor, Rogério Ceni no Fortaleza e, o que para muitos é o maior técnico do clube, Odair Hellmann. Todos esses considerados os maiores expoentes do futebol brasileiro.

Vários times tentaram jogar no modelo de jogo do Jesus, já que havia dado certo no ano anterior. Os Portugueses do Avaí, Santos e o JJ deixaram os seus cargos. Geninho assumiu o Avaí. Cuca veio para Santos após um péssimo trabalho no São Paulo e o Flamengo foi buscar outro nome europeu Domenèc Torrent, “O Grande auxiliar do Guardiola” como era tratado pela imprensa e pelos Dirigentes do Flamengo. Destes três, somente Dome foi demitido após 25 partidas e com duas goleadas para São Paulo e Atlético-MG. Acreditem, ele não era unanimidade no momento de sua contratação. Para o seu lugar foi contratado Rogério Ceni que chegou no Flamengo e em 6 jogos já foi eliminado de duas competições no ano. Ceni já está com o cargo ameaçado, indo de técnico mais desejado do futebol brasileiro no Fortaleza para técnico que não aguenta a pressão em um time grande.


Técnicos no Brasileirão!!!

Antes da atual pandemia, São Paulo, comandado por Fernando Diniz, vivia o auge do “Dinizismo” com vitória fácil sobre a LDU por 3x0 e, na sequência, sobre o Santos por 2x1 no Morumbi, já de portões fechados. Com o estopim da pandemia, os jogadores têm feito uma inter-temporada “forçada”. Com a volta titubeante de Diniz ao time, vimos um futebol diferente do começo da temporada, com derrotas para o RedBull Bragantino e Vasco, eliminações para o Mirassol no Paulista e na fase de grupo da Libertadores e depois para o Lanús na Sulamericana.


Com tudo isso, Diniz teve o seu cargo diversas vezes ameaçado. Torcedores sãopaulinos faziam protesto pedindo a demissão do treinador, que foi bancado pelo Raí e alguns dirigentes do clube. Hoje em dia Diniz é o líder do Brasileirão abrindo alguns pontos do Vice-líder do campeonato. Além disso, o clube busca o título inédito da Copa do Brasil. Atualmente é semi-finalista. Está comprovado que não temos uma formula mágica. Isto chama-se paciência. O futebol de Diniz, conhecido o “Dinizismo” precisa de paciência e treinamento. Eu te pergunto leitor: qual treinador, com esse calendário apertado, consegue se manter no cargo ?


Parafraseado Doménec Torrent


“Aqui é o Brasil”

Por outro lado, o seu vizinho de muro, Palmeiras, vivia uma situação diferente. Campeão paulista nos pênaltis em cima de seu maior rival e de melhor campanha na Libertadores, o time resolve demitir o seu técnico, campeão por diversas vezes pelo clube, Luxemburgo após uma derrota para o mesmo São Paulo do Diniz, quebrando um “tabu” de nunca vencer nos domínios Palestrinos. O técnico foi mais um a entrar no “moedor” que o futebol brasileiro se tornou, fazendo o Palmeiras peregrinar por um novo técnico. O preferido da torcida não aceitou o Heinze Becaccece. Outro que não aceitou o cargo, o queridinho dos dirigentes, era Miguel Angel Ramirez. O clube, sem poder contar com as suas principais escolhas, rumo a Europa, gerou um dos mais recentes vencedores de títulos aqui nas Américas. O “JJ”, tentando usar a mesma receita, trouxe o técnico português Abel Ferreira, que estava no PAOK da Grécia após fazer uma boa temporada no Sporting Braga. Durante seu período de adaptação, contou com ajuda de Andrey Cebola Lopes, técnico do sub-20, que assumiu após a saída do “Prefexo” Palmeiras, que para muitos analistas incluindo eu mesmo, joga com os seus meninos da base o melhor futebol apresentado atualmente.

A chegada de Abel Ferreira me fez lembrar de outros dois técnicos. Do seu xará Abel e de seu conterrâneo, Sá Pinto, que foram contratados pelo Internacional e Vasco da Gama. Lembram que no começo eu disse que o Internacional tinha o Coudet? Pois bem, ele optou em treinar o time espanhol do Celta de Vigo que “cá entre nós, briga para sobreviver na La Liga”. O que o fez sair de um time que luta pelo título do Brasileirão? Será que é o salário em Euro? Para mim, acredito que seja a estabilidade.


Vamos voltar para o Abel Braga. Qual análise os dirigentes colorados fizeram para trazê-lo? Ter sido campeão em 2006 pelo Internacional ou o seu último trabalho no Cruzeiro, ajudando-o a despencar ainda mais para a série B? Acredito que tais fatos tenham pesado o seu nome. Acredito que o melhor nome seria de Lisca Doido, semifinalista da Copa do Brasil e 2° colocado na série B por conta de seu desempenho no ano. Aliás Lisca já foi até mesmo auxiliar do próprio Abel Braga no Internacional.


Agora é a vez do Vasco, que começou o Brasileirão “Ramonizado”, com print de líder. Com o planejamento a mil, o técnico foi demitido após 15 jogos com cinco derrotas. Uma vez no Papo Arquibancada, Theo Chulapa disse:


“O time precisa saber o seu lugar no campeonato. Será que o Vasco não sabia o dele na ocasião?”

Depois da saída de Ramon Menezes, o clube contratou Sá Pinto e, assim que ele foi eliminado da Sulamericana, já teve gente pedindo a sua demissão e ainda nem estamos perto da final do campeonato.


Chego à seguinte conclusão: todos os técnicos de times brasileiros, independente de sua divisão ou tamanho, convivem com o mesmo problema - a constante ameaça de serem demitidos e com o imediatismo por resultados favores isso. A última vítima, para fechar a matéria, foi o Odair Hellmann, que foi se aventurar no mundo árabe (seus milhões de dólares) e, para o seu lugar, o Fluminense optou pelo seu “bombeiro”, ou melhor, técnico interino Marcão.


Ouvi o comentarista Caio Ribeiro dizer que se o Diniz tiver sucesso ganhando títulos, os times vão optar pela saída de bola desde o goleiro para o ano de 2021. Amigo leitor, concorda com isso?


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