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PROTESTO NA F1 - CERTO OU ERRADO !!!

F1 pode punir Hamilton por protestar?


Nesta semana, Lewis Hamilton utilizou uma camiseta no pódio do GP da Toscana com a descrição “Arrest the cops who killed Breonna Taylor” (Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor) e no verso escrito “Say her name” (Diga o nome dela) com a foto da moça afro-americana de 26 anos morta em uma ação policial em 13 de março. A maior polêmica não foi o protesto em si, mas a reação da FIA ao abrir investigação sobre o caso. Até o fechamento deste texto não visualizei ainda um posicionamento da entidade máxima do automobilismo sobre o caso.

A Fórmula 1 lançou em 22 de junho a sua campanha #WeRaceAsOne (Nós corremos como um só) com o propósito de demonstrar que o esporte está se posicionando contra o Racismo e a Desigualdade Social. Obviamente, para quem está atento às tensões sociais que ocorrem no mundo, sabe-se que na segunda metade do mês de junho houve grande mobilização nas redes sociais e em peças publicitárias em favor das causas LGBTQi+ e a escolha do arco-íris, símbolo deste movimento, não foi por acaso. Então, podemos considerar que a Fórmula 1, logo em seu retorno, abraçou causas anti-racismo, anti-homofobia, anti-desigualdade social de forma institucional.

Dezenove pilotos do grid utilizaram camisas “End Racism” (Fim do Racismo) antes do GP da Áustria, porém, Lewis Hamilton foi um pouco além e utilizou a estampa “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam – movimento americano que dedicarei algumas linhas mais adiante para falar dele). Durante o hino nacional, antes da referida corrida, cartorze pilotos se ajoelharam, repetindo o gesto iniciado por Colin Kaepernick (jogador da NFL e que estava no San Francisco 49ers em 2016) protestando contra o racismo.

No entanto, na Fórmula 1, nem todos os pilotos foram favoráveis a se ajoelhar durante o hino. Daniel Ricciardo afirmou que não é favorável ao racismo (assim como ninguém em sã consciência), mas entendeu que ajoelhar-se durante o hino não era a forma mais adequada de se manifestar sobre o tema.

Dados estes fatos, é importante notar que até aqui, a Fórmula 1 estava seguindo uma tendência de outros esportes americanos (como a NBA e a NFL) em apoiar protestos que envolvem ajoelhar-se durante o hino, camisetas favoráveis ao movimento “Black Lives Matter”, demonstração de simpatia à causa LGBTQi+, então, o que Hamilton fez de errado?

Agora começa a polêmica. Então, prepare-se, pois não ficarei em cima do muro!

A FIA e a Liberty Media criaram toda a atmosfera favorável para que seu principal astro pudesse utilizar os momentos principais do esporte para manifestar sua opinião. Soa um tanto hipócrita por parte destas entidades proibirem o “quase recordista” de todos os números da categoria de dizer o que pensa. Afinal de contas, pensem bem. Você é o grande astro do esporte, maior recordista em quase tudo, o esporte vê em você o maior apelo de mídia, você está incomodado com algo, você utilizará de seu prestígio para manifestar seu descontentamento. Senna fez o mesmo em 1994, mas com relação à segurança dos pilotos e, infelizmente, não teve tempo de atuar por essa causa.


Goste ou não dos motivos, a dupla FIA/Liberty criou a atmosfera e qualquer punição ao piloto é totalmente injusta. Se uma sanção à Lewis Hamilton for aplicada, a Fórmula 1 deverá repensar, inclusive, sua campanha #WeRaceAsOne, pois não é correto querer pautar ninguém! Por mais que suas intenções sejam as melhores possíveis, nenhuma empresa pode modelar o que seus funcionários pensam. Hamilton não pode ser punido por demonstrar uma opinião em um ambiente de protesto. Se FIA/Liberty querem proibir seu principal astro de protestar, então, façam para tudo! E isso inclui suas redes sociais, as placas nos boxes, as pinturas no halo dos carros e os momentos pré-GP.

O leitor pode estar se perguntando, se eu concordo com os méritos dos protestos de Lewis Hamilton? Em suma, concordo com a causa, mas sou mais partidário ao posicionamento de Daniel Ricciardo.

A forma como isso está sendo feito está sendo levado longe demais! Queremos o fim do racismo? Sim!
Acho que a frase “Black Lives Matter” representa esta causa? Não!

O caso Breonna Taylor foi investigado e definiu os policiais envolvidos como culpados? Não!

Isso é um problemão e pré-julgar quem quer que seja sem julgamento justo não é uma postura que vai nos conduzir a um momento melhor.


Quem acompanha as notícias vindas dos EUA está percebendo que os ataques gratuitos contra a policiais tem se intensificado, tal como o ocorrido há dois dias atrás em Miami com o falso pretexto de lutar contra um “racismo institucionalizado”.


Ou ainda, outra situação lamentável em solo americano (epicentro das discussões antirracismo) foi a violência sofrida por cidadãos que discordam da forma como o movimento “Black Lives Matter” age. Aqui há uma foto de um senhor sendo agarrado por três jovens, somente por usar uma camiseta com o termo “All Lives Matter” (Todas as Vidas Importam), mensagem muito mais inclusiva, diga-se de passagem, pois toda e qualquer vida possui valor, independente da cor da pele.


Se o leitor tiver boa vontade, conseguirá achar muitas fotos, vídeos, notícias ou posts em redes sociais mostrando que o movimento “Black Lives Matter” não quer viver em um mundo de paz, mas sim, impor uma supremacia negra como forma de se vingar dos brancos (que não são os mesmos que criaram leis de segregação racial ou apoiaram tal atrocidade em solo americano).


Por isso, Hamilton precisa entender que como uma estrela do esporte mundial, seus protestos e opiniões geram comoção e, principalmente, ação de pessoas. Ele influencia milhões de pessoas com seus atos. Tenho a convicção de que ele está comovido com a causa antirracismo por ter sofrido na pele preconceitos raciais, e depois, teve de superá-los para chegar onde chegou. É um gênio do esporte que não é mal intencionado, mas está sendo mal direcionado.


Para fechar, lembro um dos maiores homens que já pisaram em solo americano, o grande Martin Luther King Jr. Ele não acirrou conflitos, e simplesmente, buscou a paz. O seu histórico discurso, denominado “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho) deveria ser ecoado em todos os lugares e em todas as mídias (inclusive nas camisas de Lewis Hamilton) demonstrando um genuíno desejo que justifica e estabelece meios válidos contra o racismo.


“Tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas malignos, cujos lábios do governador atualmente pronunciam palavras de recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e moças negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e moças brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs”. Martin Luther King Jr.

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