• Redação

Temporada da Porsche XP Private Cup acaba em Interlagos com vitória de Edu Azevedo e Ricardo Maurici

Pela classe GT3 trio Monteiro, Hellmeister e Pizzonia leva o troféu de primeiro lugar na corrida de 500 km, com os dois primeiros celebrando o campeonato de Endurance

A expectativa para a prova final da Porsche XP Private Cup era um final de campeonato apoteótico em Interlagos. E a realização de um evento impecável, com milhares de torcedores nas arquibancadas e áreas de hospitalidade, desfile de modernos e históricos carros de linha e um show do Jota Quest marcou o retorno dos grandes eventos promovidos pela categoria dos carros de competição mais produzidos no planeta.


Na pista, o espetáculo fez jus ao palco montado de forma impecável mais uma vez. Com direito a estratégias embaralhadas por intervenções do safety-car no início e no fim da prova de 500 km, a dupla Ricardo Mauricio e Edu Azevedo foi a primeira a ver a bandeira quadriculada, à frente de Rodrigo Mello e Nelson Piquet Jr e da tripulação do carro #11, Pedro Boesel e Sergio Sette Câmara.

Mas quem mais sorriu e levou troféus foi o time quarto colocado, Enzo Elias e Jeff Giassi. Dupla mais jovem do grid, a tripulação do carro #73 levantou os campeonatos de Endurance nas classes Cup, Sport e Trophy. No processo, Enzo conquistou também o título Overall na Carrera Cup.


O top5 na prova foi completado pela dupla do carro #8, Werner Neugebauer e Fabio Carbone, que cruzou a linha de chegada literalmente junto com o #77, de Chico Horta e Wiliam Freire.

Pela GT3 Cup a vitória foi do trio do carro #87, Alan Hellmeister, Nelson Monteiro e Antonio Pizzonia. Os dois primeiros conquistaram o título de Endurance, com Monteiro levantando sozinho também o campeonato Overall dos carros de motor 3.8.


Logo atrás veio o carro #888, de Lineu Pires, Beto Gresse e Vitor Meira. Com o resultado, Pires e Gresse ficaram com o título de Endurance na classe GT3 Sport.

A vitória na classe GT3 Trophy também ficou com um trio, formado por Edu Guedes, Carlos Ambrósio e Caio Collet. O campeonato da divisão de entrada ficou para Paulo Totaro.


A Porsche XP Private Cup retorna em 2022, temporada que vai marcar a estreia do novíssimo modelo Porsche 911 GT3 Cup da geração 992. É o mesmo carro que disputou a Supercup nesta temporada.



Galeria dos campeões 2021:

Sprint

  • Carrera Cup: Miguel Paludo

  • Carrera Sport: Renan Pizii

  • Carrera Trophy: Nelson Marcondes

  • GT3 Cup: Lucas Salles

  • GT3 Sport: Ricardo Fontanari

  • GT3 Trophy: Edu Guedes

Endurance

  • Carrera Cup: Enzo Elias e Jeff Giassi

  • Carrera Sport: Enzo Elias e Jeff Giassi

  • Carrera Trophy: Enzo Elias e Jeff Giassi

  • GT3 Cup: Nelson Monteiro e Alan Hellmeister

  • GT3 Sport: Lineu Pires e Beto Gresse

  • GT3 Trophy: Paulo Totaro

Overall

  • Carrera Cup: Enzo Elias

  • GT3 Cup: Nelson Monteiro


A corrida

Enzo Elias fez valer a vantagem de sair da pole e evitou o assédio de Guilherme Salas nas primeiras curvas. Paludo e Zonta emparelharam pela terceira posição, mas prevaleceu o carro #7. Na saída do Laranjinha, Paludo e Salas tiveram contato e os dois carros perderam rendimento, sendo imediatamente engolidos pelo pelotão.

No fim da primeira volta a ordem era Elias, Casagrande, Zonta, Di Mauro e Barrichello. Na segunda, os carros de Cristian Mohr, com pneu furado, e os de Leo Sanchez e Caio Castro sofreram danos.


Então foi acionado o safety-car. O top5 da corrida era: Elias (liderando também nas classes Sport e Trophy), Casagande, Di Mauro, Barrichello e Ramos. Renan Guerra, com uma tocada bem segura, era o líder na GT3 geral, Sport e Trophy com 13º lugar no geral.


Elias sustenou a liderança na relargada da volta 8 e logo atrás Di Mauro passou Casagrande na freada do S do Senna. Logo atrás, Cesar Ramos passou Barrichello pelo quarto lugar. Na abertura da volta 10, Ramos superou Casagrande no S do Senna. Com a disputa intensa entre segundo e quinto colocados, Enzo Elias conseguiu livrar alguma distância em primeiro. Na volta 11, por exemplo, Ramos avançou para segundo, e Barrichello para quarto. A vantagem do #73 era de 1.5s.

Na volta 12, o carro #12, de Sergio Jimenez, deixou muito óleo na pista no Laranjinha. Houve então um verdadeiro balé atrás dele, com nada menos que cinco carros rodando e interrompendo a pista. Edu Guedes foi hábil ao escapar por dentro.


Com o traçado demandando limpeza, o safety-car novamente precisou ser acionado –o que precipitou uma verdadeira corrida aos pits. Alguns carros, que já estavam fazendo o primeiro serviço de box naquela volta, tiveram vantagem, casos do #90, #32, e #145.


A saída do safety-car coincidiu com o retorno dos carros à pista. O #199 saiu na frente do #73, mas na pista Giassi passou Nelson Marcondes. Werner Neugebauer também atacou Giassi, mas o catarinense fechou a porta para o carro #8.

A cem voltas da bandeirada, Ricardo Mauricio liderava com o #90. Em segundo aparecia Galid Osman, o GT3 mais bem colocado naquele momento. Mas ambos acusavam na tela de cronometragem tempos de pits mais curtos que o mínimo de 6 minutos previsto em regulamento e foram posteriormente punidos, bem como o #3 e o #199.


Ricardinho pagou o drive-thru e mesmo assim saiu dos pits com mais de 18s de vantagem sobre o segundo colocado, Carlos Renaux com o #145 liderando na GT3. Osman também pagou punição e voltou em terceiro. Neugebauer era quarto, com Giassi e Giaffone completando o top5.


Logo atrás Mello superou Feldmann no fim da reta oposta para ser sexto na volta 25. Mas na abertura da 26 o #1 deu o troco na freada do S do Senna.


Com uma hora de prova e 31 voltas percorridas, o #90 seguia com folgada liderança, seguido pelo #145, com mais margem ainda para o segundo colocado na GT3 Cup. Neugebauer era terceiro, pressionado por Giassi. E Giaffone completava o top5 8s atrás do #73.


Neugebauer e Giassi passaram o #145 na volta 34, ocasião em que alguns carros já realizavam o segundo pit mandatório. Giassi entrou nos pits na volta 37, Neugebauer no giro seguinte.


Ricardinho entrou no box na volta 40. Feldmann então assumiu a liderança, com Mello em segundo. Renaux era terceiro e líder na GT3 Cup. Paludo e Salles completavam o top5.


Na marca de 1h:30 de corrida, Feldmann e Mello permaneciam na liderança ainda com um pit realizado. Paludo vinha em terceiro, Salles em quarto. Com duas paradas, Azevedo era sexto, com formidável margem de 38s sobre Cesar Ramos, que, a exemplo de Sergio Sette Câmara havia ultrapassado tanto Werner quanto Giassi.


Feldmann entrou nos pits no fim da volta 49. Mello acompanhou. Em outra janela de estratégia depois do incidente na volta 1 e o drive-thru, Paludo era terceiro. E na volta 50 sofreu pneu furado enquanto liderava com o carro #7.


Azevedo então reassumiu a dianteira, com 31s de vantagem sobre Cesar Ramos, 38s sobre Sette Câmara e 47s sobre Felipe Fraga. Thiago Camilo vinha em sétimo com o #1 no lugar de Feldmann, mais de um minuto atrás do líder. Na GT3 Cup a liderança seguia com o #145, naquele momento com Vitor Baptista.


Ramos entrou nos pits na volta 57, depois de reduzir a vantagem para o carro #90 em mais de 6s. Sette Câmara vinha rápido e assumiu o segundo lugar. Caio Collet estava perto do #11 e era o GT3 mais veloz na pista naquela altura, responsável por alçar o #99 à segunda posição na classe GT3 e liderança na Sport e Trophy.


Na marca de duas horas de corrida, o #90 liderava com folga de 42s sobre o #80. Camilo era terceiro com o #1, Piquet quarto com o #29 e Dirani quinto com o #7. Em sexto, Suzuki liderava a classe GT3 Cup.


Azevedo entrou nos pits na volta 64, bem como Casagrande. Camilo veio na volta seguinte, deixando a liderança para Piquet Jr. O #29 entrou no box a 50 voltas do final.


Ricardinho reassumiu o #90 disposto a não deixar escapar a segunda vitória consecutiva em Intelagos depois da OAKBERRY All-Star Race 2021. Ele veio catapultado por duas voltas mais rápidas em sequência. A margem para o #9 era de 20s. Mas logo Franco Giaffone escapou da pista e Enzo Elias ultrapassou para ser sexto.


Na volta 71 Ambrosio rodou com o carro #99 que liderava na GT3 Sport e Trophy. Mas seguiu sem perder posições. Na liderança geral da categoria dos carros 3.8l vinha Rafael Suzuki, em terceiro na prova, mas ainda com apenas dois pit-stops realizados.


Três giros mais tarde, contato entre Darwich e Bia Figueiredo foi inevitável após o contorno da Junção. Eles perderam tempo e seguiram sem maiores danos. O #555 acabou punido por drive-thru pela manobra. Na volta 77, Camilo passou Enzo na freada do S do Senna e o #73 entrou para os pits na sequência.


Na volta 80, Hellmeister passou Peres para tomar a liderança na GT3 e o sétimo lugar no geral. Mas entrou nos pits na sequência para a quarta parada.


Faltando 30 voltas, Ricardinho liderava com o #90 e vantagem superior a uma volta sobre Dennis Dirani. O carro #85 era terceiro com Diego Nunes. Peres, no #145 e Suzuki, no #19, completavam o top5.


Os ponteiros então entraram nos pits e Ricardo Azevedo reassumiu o #90. Camilo vinha atrás e depois Sette Câmara, Piquet e Cesar Ramos. Com 90 voltas percorridas, o #145 seguia liderando na GT3, naquele momento com Marcus Peres.


A 25 voltas do fim, o pega da prova era entre os carros #1 e #29, depois de Piquet alcançar Camilo. Os dois haviam passado Sette Câmara. Camilo então levou para sua quinta e última parada. A diferença do #90 para Piquet era de 33s.


Camilo voltou dos pits e logo cruzou o carro #3, que vinha quatro voltas atrás dele. Mas houve disputa com toques em dois trechos da pista, e Gui Salas teve que recolher para mais uma parada. Na cabeça do pelotão, Piquet vinha tirando a margem do #90 na razão de mais de 1s por volta. Mas a vantagem de Azevedo era de 23s a 19 voltas do fim.


Edu Azevedo entrou nos pits na liderança depois de 103 voltas completadas.


Na pista, a atração era Piquet tentando aplicar mais uma volta sobre o carro #5, na ocasião com Lucas di Grassi. Eles emparelharam na Junção e o primeiro campeão mundial da Fórmula E acabou espremido para fora pelo terceiro a conquistar aquele título.


Ricardinho então deixou os pits e tinha 15s de margem sobre Piquet. Este levava 2.5s sobre Camilo, que tinha cerca de 1s sobre Sette Câmara. Depois Cesar Ramos também colou para a disputa.


A briga pelo terceiro lugar foi intensa na reta final da prova. Sette Câmara emparelhou com Camilo na volta 109 na tomada do S do Senna. O #1 defendeu. Forçado a tirar o pé, Sette Câmara perdeu posição para Cesar Ramos. Então na subida do Café o #9 e o #1 tiveram contato, com Camilo acertando o muro em alta velocidade. O safety-car foi imediatamente acionado e, voltas depois, o #9 excluído da prova pela batida.

A relargada veio a três voltas para o fim. Ricardinho saltou bem, Piquet passou apenas um dos dois GT3 que havia entre ele e o líder. Dentro do top5 Carbone atacava Elias. Na GT3 Cup, Hellmeister liderava com 11º no geral, o suficiente para levar o título inclusive.


Ricardinho venceu, com Piquet em segundo, Sette Câmara em terceiro, Elias em quarto e Carbone em quinto. Título para o #73 no geral, Sport e Trophy.


Na GT3 Cup a vitória e o título ficaram com o #87 de Hellmeister e Monteiro. O #888 foi segundo no geral, vencendo na Sport. Já o #99 ergueu a vitória na Trophy.


Veja a galeria de fotos da prova
O que eles disseram:

“Primeiro quero agradecer ao Dener e a categoria, ao Luiz também, meu engenheiro na Stock. Ao Dudu, meu parceiro aqui nos últimos 12 anos. Duas vitórias consecutivas para nós, no All-Star Race e agora nos 500km, uma prova onde você tem muito mais estratégia, mais paradas no box. Tivemos uma penalização, mas hoje a estratégia foi perfeita na corrida. O ritmo do Dudu foi fundamental para nossa vitória, ele foi muito constante e entregou o carro em ótimo estado para mim. O safety assustou um pouco pois nossa vantagem de 15s desapareceu, os dois retardatários foram importantes para ajudar a garantir a vitória.”


Ricardo Maurício


“Corremos com o carro branco na All-Star e deu certo, preferi a superstição e mantive ele branco para a Endurance. Classifiquei mal ontem e hoje fui para o all-in na prova, larguei para cima e isso nos ajudou muito. Agora é só comemorar nossa vitória.”


Eduardo Azevedo


“Deu tudo certo, que corrida maluca foi essa! Lideramos o primeiro stint inteiro, nos envolvemos nas disputas e no final deu tudo certo. Terminei o ano com quatro títulos, Overall, e todos da Endurance, Geral, Sport e Trophy. Esse ano é da Farben. Foi um ano perfeito, infelizmente não veio o título na Sprint, mas muito contente em vencer meus primeiros campeonatos na Carrera. ”


Enzo Elias


“Quem começou a carreira no virtual sabe como é difícil, quem está no real também passou por dificuldades. Hoje minha carreira nas pistas completa 20 anos e finalmente veio meu primeiro título no automobilismo real. A espera foi longa demais. A corrida foi muito boa, me envolvi em brigas, pensei no campeonato e trouxe o carro para casa. Nossa principal disputa era o título aqui em Interlagos.”


Jeff Giassi


“Estratégia foi a definição dessa corrida. Quero dividir aqui o prazer que foi correr junto com esses dois caras incríveis, o Pizzonia e o Hellmeister. Essa vitória é para todos que nos apoiaram nessa temporada.”


Nelson Monteiro


“Muito honrado pelo convite de integrar o carro deles. Estava parado há dois anos, é difícil voltar a andar depois de tanto tempo parado. Tive alguma dificuldade no começo, mas consegui me adaptar bem e ajudar eles a conquistar o título.


Antonio Pizzonia