• Fernando Lima

TROCAR TREINADOR É A SOLUÇÃO ?

Há décadas o futebol brasileiro debate este problema


Hoje vamos debater um dos assuntos mais antigos que permeiam as mesas redondas Brasil afora. Afinal de contas, resolve para um time de futebol trocar seu treinador durante a competição? Para mim é difícil dar uma opinião direta, booleana, sim ou não, pois tomar uma decisão em um time de futebol envolve uma série de questões e indagações que precisam ser respondidas pelo gestor de futebol para decidir se demite ou não este profissional.


Primeiramente, é necessário apontar que o debate sobre o tema se acentuou após o brasileiro médio começar a ter maiores informações sobre os campeonatos europeus e descobrir que os milionários elencos do mundo não trocam seus treinadores com frequência. Todos observam Manchester United, Bayern de Munique, Real Madrid, Barcelona, Liverpool, Juventus, dentre tantos outros grandes para justificar que trocar seu comandante não é solução. Aqui estamos apontando somente os multimilionários elencos, mas e os demais?


O site da Rádio Jovem Pan fez um levantamento no começo deste ano apontando que em 2019 ocorreram 30 demissões nas 5 principais ligas (somente primeira divisão). A que mais me chama a atenção é a Itália que demitiu 9 treinadores (o Gênova trocou duas vezes de técnico). O caso mais emblemático, daquele ano, nos gramados europeus foi a saída de Ernesto Valverde do comando do Barcelona no meio da temporada. O caso eclodiu uma crise interna dentro do time catalão entre líderes do elenco e culminou com a demissão do diretor esportivo da equipe Eric Abidal.


Mas, ainda assim, não é um número tão expressivo quanto no Brasil. Por quê?

Minha resposta é que no Brasil, todo o time vive em um contexto de pressão por resultados (o mais rápido possível!). O brasileiro é apaixonado pelo seu clube e quer vê-lo sempre brigando nas cabeças, independente da condição financeira ou do elenco. No futebol europeu dá para falar em planejamento, em aceitar rebaixamentos, em entender que é impossível brigar com os grandes, agora no Brasil, afirme isso para um fanático torcedor de um time que esteja disputando qualquer série do Brasileirão e verás o quanto é difícil comparar o futebol brasileiro ao europeu (analisando o todo).


No Brasil, o planejamento à longo prazo é simplesmente impossível (único treinador que se mantém mais tempo no cargo no país e o Renato Portaluppi). Quantas vezes eu ouvi falar a palavra “projeto” nos clubes nacionais. Você apresenta o tal “projeto” para os treinadores, eles compram a ideia e em 5 rodadas acabou! E isso porque este tal time perdeu boa parte dos pontos nessas rodadas. Mas, podemos culpar o dirigente por isso? Também acho difícil, pois o contexto do futebol nacional é totalmente diferente!

Coloque-se no lugar de um dirigente de um time que está na zona do rebaixamento. Ele pode até tentar manter um “projeto” ou um “planejamento” durante um campeonato, mas a pressão da torcida, do conselho deliberativo, da imprensa, do vendedor de cachorro quente, e ainda viver para ver seu carro apedrejado, torcida na porta do CT ou no aeroporto protestando, ou seja, é um cenário caótico de todos os lados! A grande maioria vai ceder e tentar colocar um fato novo para dar uma resposta a toda essa insatisfação. O que é mais simples: demitir um treinador ou trocar jogadores? A resposta você já sabe!


Então, diante de tudo isso, você pode se perguntar se eu sou contrário ou favorável à troca de técnicos. Vou te responder sem hipocrisia: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Cada caso é um caso e precisará ser ponderado e analisado.


Sou contra aquelas trocas de técnico totalmente injustificáveis, sem que os resultados em campo ou as ações do profissional demonstrem que merecia a perda do cargo. Mas, você sabe que no Brasil, um treinador está balançando no cargo e já tem outro conversando para assumir o comando. É assim! Até os próprios profissionais que tanto reclamam dessa instabilidade, facilitam esse processo troca. Coisas que eu acredito que só vemos por aqui.


Mas, também sou favorável quando o treinador não consegue dar boas respostas às dificuldades enfrentadas em campo, ou quando o grupo de jogadores não gosta do trabalho, ou ainda, quando o próprio treinador não quer seguir. Isso acontece no futebol e os dirigentes precisam agir sobre isso.


Por isso, minha palavra final é: trocar de treinador é uma decisão que precisa ser pautada em fatos e coerência. Não é um assunto que você possa dizer “sou contrário” ou “sou favorável” em 100% dos casos. Já vimos times perdidos que trocaram várias vezes de treinador e que foram rebaixados e já vimos times que trocaram e foram campeões. O assunto, definitivamente, nunca terá uma resposta definitiva.


Alguns casos de sucesso, nos quais os clubes que optaram em manter seus treinadores no cargo por um bom tempo.







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